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Por que tomamos cafés fajutos?

Faz tempo, já, me faço essa pergunta. A contradição é muito grande: somos os maiores produtores do mundo, temos variedade de ambientes propícios para o cultivo, o que nos faz ter diversas qualidades de grãos à nossa disposição.

Pensar que se trata apenas do velho chavão: o que é bom exportamos, o que é ruim fica para o mercado interno, não é suficiente para nos conformarmos com os cafés horrorosos que enchem nossas garrafas térmicas.

Por algumas vezes já escrevi sobre esse assunto aqui. Agora só o faço quando tenho novidades sobre o assunto! É o caso agora.
Estudando a história do café no Brasil e no mundo, constatei que há razões fortes para esse péssimo costume brasileiro. É claro, não se trata meramente um aspecto cultural. Não somos burros! Trata-se, na verdade, de um hábito arraigado, que já não corresponde à nossa realidae.

Voltando ao auge da cafeicultura no Brasil, quando foi essa a principal atividade exportadora do país, destacava-se o destino do café brasileiro: os Estados Unidos. 70% do café consumido no mundo era brasileiro. A quase totalidade dessa quantidade ia para o mercado norte-americano. E como era o consumo do café nesse país? Eis a chave da questão: os americanos sempre foram incentivados a consumir café em grandes doses, muitas vezes ao dia. Era o verdadeiro ascendente do “chafé” que os vemos colocar no porta-copos de seus mastodônticos carros, hoje.
Em contraste, o Europeu, como agora,tomava café em diminutas doses, em suntuosas cafeterias espalhadas pelas maiores cidades.
O norte-americano tomava (e toma) café para ficar desperto. Pouco importava o gosto da bebida! O Europeu, pela degustação e pelo ritual social. Estes, importavam grãos de outros lugares do mundo, como a Colômbia e o Ceilão.

A estrutura agrária do Brasil favorecia a grande monocultura. Produção em alta escala era nosso forte. Já o café mais suave, saboroso e de alta qualidade era melhor produzido nas pequenas propriedades desses outros paíse (incapazes de produzir sequer uma pequena parcela do que produzia o Brasil).
Atualmente, nosso café parece uma mistura dos cafés americano com o europeu.Tomamos doses maiores que o “curto” europeu, mas não gostamos do “chafé” americano. No que toca à qualidade da bebida, entretanto, me parece que estamos sozinhos. Nenhum dos grandes consumidores a que nos referimos consome tanto café ruim como nós!

Temos nossos hábitos e não precisamos aderir aos estrangeiros. Mas já é hora de as grandes marcas melhorarem a qualidade do que vendem. Não podemos ser marionetes do marketing de massas!
As gigantes do café precisam encontrar resistência para vender cafés de baixa quialidade como se fossem a fresca bebida matinal, com fumacinha saindo da caneca de famílias felizes!
Mas para isso, o público precisa saber o que é bom e o que é ruim. E sem achar que coisa boa é produto de luxo!

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Cafés regionais


Para quem tem curiosidade pelos sabores característicos dos cafés brasileiros de diferentes zonas produtoras, o Café do Centro possui uma linha de cafés regionais que contempla as principais. O Café do Centro regular não é dos meus preferidos. Creio ser um bom café, mas não bate com minhas preferências. Para mim, seu sabor lembra biscoitos amanteigados. Acho-o um pouco enjoativo. Entretanto, essa linha de regionais traz cafés bem diferentes desse. É possível notar as particularidades de cada um deles, com clareza. Sugiro a experiência de provar cada um deles! Mas aproveito para fazer um alerta: você pode comprá-lo para por 80, ou por 28 reais o quilo (7,5 reais o pacote de 250 gramas em grãos)! Por absurdo que pareça, isso acontece! Como? Simples: comprando no site Cafe Store (melhor não colocar o link deles), você paga o triplo! E onde comprar? Em São Paulo, no supermercado Záfari, no Shopping Pompéia. E há motivos adicionais para isso. No primeiro caso, você estará navegando no site de uma loja que diz vender centenas de tipos de cafés, mas não o faz. Simplesmente, porque todos os melhores títulos estão sempre indisponíveis! É daquelas lojas que nos dão raiva!! Já indo ao Záfari, você conhecerá o único supermercado de São Paulo que alia organização, variedade de produtos, e preços na média. Já experimentei duas variedades. Comento brevemente as provas deles, pois escreverei comparativamente sobre todas elas. Espírito Santo: lembra o café robusta (lembrando que esse estado é o maior produtor da variedade robusta) – forte, bastante encorpado, ligeiramente amargo. Vale a pena experimentar, pois o sabor é bem característico. Mais próximo ao gosto brasileiro médio. Cerrado Mineiro: leve, corpo médio, sabor marcante. Acidez notável.

 

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Octávio Café

Finalmente visitei o Octávio Café, em São Paulo!
Praticamente o único café de São Paulo, quando pensamos em um grande espaço para estar à mesa, conversando e tomando café. Nesse ponto, São Paulo engatinha se comparado a Buenos Aires ou cidades européias. E há demanda! Muita gente se ressente de grandes cafés em S. Paulo.
O Octávio, apesar de enorme e agradável, é um espaço bastante fechado e privado de luz natural. Possui uma parte aberta, mas também cercada e recuada em relação à rua. Nada mais São Paulo, onde prevalece a segurança e a separação com relação aos transeuntes.
O cardápio é vasto e variado. Inclusive o de cafés e bebidas que o incluem. De início, saltam aos olhos os preços, bastante salgados. Mas há opções viáveis que valem a pena. Como o chocolate quente com pistache e marshmelow (na casa dos 10 reais). Bem melhor que a maior parte das caríssimas bebidas do Starbucks. Mas é preciso olhar os preços antes de pedir, caso não não se tenha muito dinheiro. Um pão na chapa pode custar quase 5 reais!
Mas vamos os que mais interessa, o café espresso. Pedi o simples. Muito bom, para ser direto. Um café forte, com sabor marcante, mas ao mesmo tempo, bastante fresco. Acaba caindo com leveza no estômago, deixando gosto residual muito agradável! Vale a pena! Eu diria que é um espresso acima da média! Pretendo voltar e repetir a dose!

 
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Publicado por em 1 de novembro de 2010 em Cafeterias

 

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Atelier do Café – conhecendo ao vivo, meu primeiro café


Há 5 anos descobri minha primeira fonte de cafés gourmet. Foi quando descobri também, o prazer de apreciar o gosto da bebida que me dava forças para estudar matérias não muito agradáveis da faculdade. Ela era o Atelier do Café, até então, nada mais que um site de compras de café.
Desde a primeira compra, lidei com um site bem feito, um sistema de entregas totalmente eficiente e um excelente atendimento. Durante muito tempo, o Atelier foi a única chance de conseguir “café de verdade”. Há “tanto tempo” não se encontrava nas prateleiras do varejo de São Paulo nada além das famigeradas almofadas de café robusta moído. Mas com toda a variedade de hoje, o Atelier segue sendo uma das melhores opções para compra de “café de verdade”, e dos bons.
Já era hora de conhecer o Atelier ao vivo! Bastou uma ligação e auto-convite a uma visita para ser atendido com a maior boa vontade pela Tatiana e pelo Davi. Agendamos o dia com dez dias de antecedência e na data, lá fui eu rumo ao centro de Valinhos. Fui muito bem recebido na entrada desse ainda desconhecido mundo. A torrefação dos cafés tenho apreciado ao longo desses 5 anos me recebia de portas abertas.
Sua história me foi revelada: trata-se de uma loja virtual e torrefação, cuja matéria prima se origina na Fazenda Daterra, localizada no Cerrado Mineiro e Mogiana, em São Paulo. As mais de 15 variedades de arábica cultivadas foram semeadas pela família Paschoal, a mesma da rede de pneus automotivos! Em 1984 a família retomou suas origens, voltando a lidar com café, já que no longínquo ano de 1908, Miguel Paschoal, um imigrante italiano, abriu uma banquinha de venda de café em xícaras no Mercado Municipal de Campinas. De sua relação com os clientes derivou a diversificação dos negócios.
Descobri que a torra é feita de forma profissional, com boa dose de artesanato: o forno trabalha em associação a um software que mapeia o perfil da torra, ou seja, que registra a temperatura ao longo do tempo do ciclo. Cada lote torrado possui seu perfil arquivado, sendo rastreável a qualquer momento. Dessa maneira, eventuais reclamações ou sugestões podem ser avaliadas, apenas tendo-se em mãos o número do lote do café em questão (sempre gravado nas embalagens). O toque artesanal fica por conta do Davi, responsável pelas torras. Com seu consistente treinamento, ele retira amostras ao longo do processo, verificando o estado dos grãos, acompanhando sua transformação (perda de água). Assim, sabe exatamente a hora de desligar o forno e resfriar os grãos a ar. Cada variedade possui seu ponto ideal, aquele que condiz com o máximo de aproveitamento de suas características (aroma, sabor, corpo, acidez).
Para realizar o melhor dos trabalhos, Davi conta com as informações de profissionais de degustação que avaliam cada variedade de grãos dos cafés Daterra. A melhor torra, para Davi, entretanto, não condiz exatamente com a usada pelos degustadores, já que o Atelier precisa pensar em seu consumidor, que quase sempre conta com cafeteiras simples ou máquinas amadoras de espresso. Em geral, isso significa uma torra um pouco mais forte que a dos degustadores.
Uma curiosidade chama a atenção: os grãos de café estouram como pipoca! Assim, os grãozinhos verdes, que lembram lentilhas, se transformam nos grandes grãos marrons, com fendas, que conhecemos. O barulho é como de uma pipoqueira, só que um pouco mais oco.
Café torrado, café pronto para ser bebido? Ainda não! A tecnologia ainda dará as caras no processo: uma separadora de grãos fará um minucioso serviço de segregação de grãos inadequados, cuja torra tenha escapado aos padrões determinados por Davi. Por meio da análise de sua cor (também realizada por um software específico), a máquina descarta os grãos indesejados, que produziriam uma bebida adstringente e amarga. Por volta de 20% dos grãos cai fora do ciclo nessa etapa.
<Finalmente, após sentir o melhor dos aromas de café fresco, chega a hora de prová-lo. A essa altura, fico sabendo que esse aroma delicioso começa a ser exalado somente depois do resfriamento dos grãos. Antes, quentes, os grãos pouco têm a oferecer a nosso olfato.
Agora, o espresso! Certo? Nada disso! Hora da degustação, nos moldes das profissionais (sobre isso, haverá um novo mini-post). Muito interessante! Senti como se meu paladar tivesse se multiplicado! Não imaginava que o café pudesse ser tão complexo! Açúcar não é necessário, nem desejável. Pela primeira vez senti docura num café, sem adoçá-lo.

Ao final, pude apreciar um espresso tirado na melhor das várias máquinas que ali estavam (são usadas para testes). Sensacional! Nada se compara a um café recém-torrado e moído. De quebra, provei o mesmo blend, em sachê. Parecia outro! Mais assunto para o futuro!
Recomendo a visita ao Atelier do Café a todos que ficaram com água na boca! Basta ligar para o televendas, presente no site (www.atelierdocafé.com.br) e falar com a Tatiana. Conte com uma recepção agradável e uma visita interessantíssima. A apenas 50 minutos de São Paulo, uma visita de um hora, ou um pouco mais, se for curioso como eu!
Pelo site é possível conhecer todos os blends (10), e, comprá-los na versão (para prensa francesa, filtro, espresso, ou em grãos) e quantidade (1/4 ou ½ quilo) que se adaptar às suas necessidades. Trata-se de um site agradável e muito funcional! Comece com essa visita! De quebra, peça um dos blends e não se arrependa!

 
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Publicado por em 7 de maio de 2010 em Cafés gourmet - marcas e opinião

 

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