RSS

Arquivo da tag: cafeteria

Alento na Paulista – Mirante 9 de Julho Café

Sempre relatei aqui a dificuldade em se encontrar bons cafés na região da Avenida Paulista.
Depois de anos de existência deste blog, uma alternativa apareceu, atrás do MASP (Estação Trianon-Masp da linha verde do metrô).
Trata-se do Mirante Café. Um espaço revitalizado sobre a saída do Túnel 9 de Julho.
O projeto é muito interessante, podendo ser acompanhado pelo site do Mirante: https://mirante.art.br/
Vale muito a pena checar!
O café fica do lado esquerdo de quem entra no espaço, após descer as escadarias, cuja entrada é na rua Carlos Commenale (exatamente atrás do MASP).
A marca que nos serve ali é a “Isso é Café”, cujos cafés são de 1ª qualidade dentre os gourmets. São cafés provenientes da região de Mococa-SP, divisa com Minas Gerais.
O espresso é tirado por baristas do mundo todo que estagiam rotativamente. E sempre é excelente.
Há enorme variedade de opções de apresentações da bebida café, raramente encontrada em São Paulo.
É possível levar diversos tipos de café para fazer em casa.
O ponto baixo fica por conta dos preços um pouco salgados, mesmo considerando a qualidade bem acima da média. Além da impossibilidade de adquirir pacotes maiores de 250 gramas.
No Mirante há outras atrações gastronômicas bem interessantes, independentes da cafeteria.

Enfim, um café viciante na Paulista!

 
Deixe um comentário

Publicado por em 3 de janeiro de 2016 em Cafeterias

 

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Prensa Francesa

A ferramenta de fazer café que mais desperta curiosidade. Assim posso definir, com segurança, a prensa francesa.

Aqui neste blog, um post dos mais antigos dentre todos, sobre ela, é até hoje um dos mais acessados.

Nada melhor, então, que voltar a falar desse método de preparo!

Trata-se de uma jarrinha cilíndrica e um êmbolo metálico. A prensa parece uma adaptação feita com base em seringas médicas. O princípio guarda semelhança, e ao mesmo tempo, tem uma diferença essencial.

O êmbolo da prensa é vazado, e, em vez de comprimir o líquido para que saia por um orifício, como veremos ser o caso a Aeropress, ele o comprime para separar a bebida preparada por infusão dos grânulos de café.

O uso da prensa é simples, mas não tanto quanto parece! Segue um passo-a-passo:

  1. Usando café em moagem grossa, verter a quantidade desejada (de acordo com o gosto do apreciador – a definição da quantidade deve ser obtida por tentativa e erro).
  2. Verter sobre o café, água fervente (sim, fervente – com o tempo constatei que para produzir boa infusão, água semi-fervente não é adequada).

  3. Misturar com  uma colher. Observe a formação de creme – quanto mais espesso, melhor, mas se muito escuro, deverá estar havendo sobre-extração (a bebida ficará bastante forte, mas isso poderá agradar a alguns).

  4. Após cerca de 2 minutos, comprimir a bebida com o êmbolo, empurrando-o contra o fundo do recipiente, até chegar ao fundo. Deve-se fazer isso gentilmente, pois muita força e muita rapidez farão com que grânulos de café vazem pelas beiradas do filtro metálico. É preciso dar tempo de a água ir passando pelo filtro sem forçá-lo em excesso.

  5. Servir a bebida segurando a prensa pela alça e usando o a outra mão, ou o polegar da mesma mão (se a escala permitir) para manter o filtro encostado no fundo, comprimindo o café separado da infusão, me maneira a evitar que vaze para a bebida.

A primeira xícara conterá algum creme, pois o filtro metálico permite a passagem de parte do creme formado pela infusão à bebida. Lembrando sempre que café com creme, de verdade, somente o espresso.

Vantagens da prensa:

Praticidade, café com um pouco de creme, e a principal: intensidade do sabor. Podemos pensar como vantagem, também, na plasticidade do preparo com a prensa – é um instrumento bonito, engenhoso e que favorece o ritualismo do preparo do café.

Desvantagens da prensa:

Os bons modelos são caros. E a principal: dificuldade em obter café na moagem adequada. Há de se ter moedor, ou comprar café moído em cafeterias, ou pela internet, com moagem para prensa.

Entretanto, não é fácil moer café de maneira que fique totalmente adequado à prensa, pois a maior parte dos aparelhos não proporciona uma moagem suficientemente uniforme. Isso é, entre os grânulos grandes haverá grânulos bem menores, que poderão passar pelo filtro da prensa. A bebida poderá parecer conter pó em excesso – a bebida poderá se assemelhar a um café árabe.

A depender do gosto do apreciador, isso incomoda ou não.

Abaixo, dois modelos de prensa que considero muito bons.

Prensa Francesa Starbucks

Prensa Francesa Starbucks

Prensa Francesa Bialetti

Prensa Francesa Bialetti

 
6 Comentários

Publicado por em 26 de junho de 2015 em Ferramentas de preparo, Preparo

 

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Cápsulas

banheiro

Hoje falaremos do café de cápsulas, um dos mais novos métodos de preparo.

A cafeteira de cápsulas é semelhante a uma máquina de espresso, mas em escala reduzida.

A bebida é a mais semelhante possível, dentre todos os métodos, ao espresso.

Quando se fala de cafeteiras domésticas, são essas bastante atraentes, tanto pelo tamanho compacto, quanto pelos desenhos modernos e variados, em lindas cores (ainda que os fabricantes não disponibilizem no Brasil todas as cores que possuem).

O método é bastante prático e não suja utensílios domésticos, que não a própria xícara e colheres.

Eis os pontos mais positivos!

Agora vamos ao lado “B” das cápsulas!

As cápsulas de suprimento não são baratas (não que sejam caríssimas).

A limpeza do tanque das máquinas deve ser feita frequentemente, algo que passa despercebido no marketing da máquina – o uso frequente, logo de início, aponta para essa necessidade. Portanto, é necessário ter pia bem próxima.

E o principal problema, a meu ver; a limitação de sabores. Ainda que o mercado de cápsulas tenha sofrido grande ampliação nos últimos dois anos, após a queda da patente da Nespresso para o método, o sabor de quase todas as cápsulas tem um fator em comum. Algo como um gosto de queimado de fundo, que me soa bastante desagradável.

De início atribuo esse gosto universal às torras utilizadas – sempre excessivamente escuras, mesmo no caso dos cafés vendidos como sendo de torra clara.

Não direi que isso vale para todas as marcas, porque ainda não provei todas. Mas provei grande parte delas.

No entanto, existe uma solução para contornar esse problema: a fabricação própria de cápsulas. Sim, isso mesmo, nós mesmos podemos fabricar cápsulas, de acordo com nosso gosto e com o café que quisermos.

Cápsulas vazias, para preenchimento próprio, estão à venda. Há uma de fabricação francesa, a Capsul-in, adquirida facilmente pelo Mercado Livre (ou em similares), que constatei ser excelente. O preço delas é acessível, são práticas, bem feitas e funcionam à contento, com segurança para as máquinas.

Os copinhos são iguais aos das vendidas prontas, e uma cartela de adesivos aluminizados acompanha (podem ser compradas separadamente, também). Acompanha até mesmo um dosador e uma ferramenta plástica para colar o adesivo corretamente e depois selá-lo bem.

Com prática, nem é preciso usar as ferramentas – basta comprar um bom café e (o gosto será intenso, portanto, maus cafés serão horríveis na xícara) fabricar várias numa tacada só.

Outra vantagem dessas máquinas, vale para quem gosta de preparar outras bebidas na mesma máquina, como chás, chocolates, capuccinos e outras tantas, o que é possível em boa parte dos modelos.

O preço das máquinas alcança amplo espectro, mas as versões de entrada possuem preços relativamente bem atraentes (a partir de R$ 250,00)

As marcas mais disponíveis no mercado brasileiro são:

Nespresso, Arno Dolce Gusto, Três (da Três Corações) e Delta – todas incompatíveis entre si.

O café em cápsulas é dos mais práticos para escritórios, sobressaindo-se as vantagens. Para casa, não apresenta grandes vantagem comparativas.

Proximamente, leia sobre mais um método de preparo doméstico.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 29 de maio de 2015 em espresso, Preparo

 

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Por que entender sobre café?

No Brasil ainda é novidade a presença de cafés gourmet nas prateleiras de supermercados. É com estranhamento e um pouco de desconfiança que a maioria das pessoas olha para os cafés que custam acima de 10 reais o quarto (250 gramas). Para que pagar tudo isso, se uma almofada de café comum custa metade do preço?
O que relativamente pouca gente sabe é que a diferença de qualidade entre o café “tradicional” e o gourmet pode ir muito além do que indicam os preços.
Poucos sabem, também, que é possível moer grãos de café em casa, com um aparelho elétrico de 70 reais, o que proporciona uma bebida muito mais fresca e vibrante.
Entender um pouco de café pode ser a diferença entre tomar um líquido escuro e amargo, com muito açúcar para compensar, ou uma bebida saborosa, capaz de deixar uma sensação agradável na boca por uma ou duas horas.
É como deixar de ter um prazer, simplesmente, por não saber que ele existe!
Mas não é preciso ser um barista para ter esse prazer. Basta se interessar pelo assunto e ter comportamento exploratório, o que se traduz em experimentar cafés em diferentes cafeterias, perguntando sempre aos baristas a marca e a origem do produto com que ele trabalha.
Ainda: frequentar lugares que vendam diversas marcas de cafés gourmet e não se limitar ao conhecido e previsível.

 

Tags: , , , , , ,

Novo café no grupo dos melhores

Tenho satisfação em apresentar aqui um novo café, e dos bons! O Café Raiz, proveniente da Alta Mogiana,  é meu atual preferido: seu frescor cai muito bem no verão. Essa característica está ligada à acidez e ao corpo da bebida. No caso do Raiz, é alta a acidez e médio o corpo. Cafés muito encorpados não me agradam, na verdade, em nenhuma época do ano. Sinto que sua oleosidade atrapalha um pouco a percepção do sabor.

A acidez, pelo contrário, costuma ser extremamente agradável ao nosso paladar. Os alimentos ácidos são os mais saborosos. Por isso, até, a indústria alimentícia abusa dos aditivos ácidos – é uma maneira de seduzir o consumidor. Pense nos refrigerantes, nos molhos e sabores artificias de frutas. São todos ácidos.

O mérito principal do Café Raiz é a torra.Ao contrário do que fazem 90%, ou mais, dos torrefadores, o Raiz tem torra clara. Em geral, prefere-se a escura, por conta do aumento do rendimento. Aumento esse, que se ressalte, é ilusório, pois sacrifica o sabor original do café. Bons grãos acabam caindo na vala comum dos espressos por portarem o famigerado gosto amargo de queimado.

Por mais que se fale que cada café possui sua torra ideal, para mim, quanto mais escura, pior. Pequenas nuances podem ser bem-vindas, mas se a torra sair da “clara”, decai a qualidade da bebida. Eis minha opinião, baseada em experiência e influenciada por gosto pessoal, como não poderia deixar de ser.

Ainda outro dia, comprei um excelente café peruano, orgânico. Mas quando chegou, vi que era de torra escura, o que na hora da compra acabei ignorando. Resultado: o amargor da decepção! Mas ainda posso usá-lo para café filtrado, tornando menos o prejuízo gustativo.

Até hoje, só vi dois cafés oferecerem torra clara de verdade: o Suplicy e o Raiz. Ambos, podem ser comprados via site. Há um links de ambos na página inicial desse blog, no canto inferior direito.

Passo a falar, agora, da cafeteria “Café Raiz”, que tornou muito melhor a experiência da prova desse café. Trata-se de um dos pouquíssimos exemplos de cafeterias em São Paulo. Será agora somada ao Café Jasmim, ao Paraná Café, ao Otávio Café, ao Trevíolo e ao Suplicy. No entanto, o Raiz é dos únicos que reúne: espaço agradável e muito bem planejado, bom serviço, e café excelente. Destaque maior para o horário de funcionamento, que inclui domingos, das oito à meia-noite. Trata-se de uma disponibilidade inédita entre as cafeterias de São Paulo. Tomara que o exemplo seja seguido pelas outras!

Nota final: faça atenção especial aftertaste do café Raiz! Não o desperdice com bebidas geladas após tomá-lo!

Endereço: Rua Cardoso de Almeida, 969, Perdizes, São Paulo.

http://www.caferaiz.com.br (o site não faz jus a qualidade do café nem da cafeteria, mas contém informações úteis e venda de café).

 

Tags: , ,

Tradições para serem quebradas

Ultimamente tenho diversificado minhas degustações de cafés espressos. Tentando driblar a escassez de cafeterias legais em São Paulo, tenho arriscado tomar espressos em pequenos “cafés”, mais discretos. Desses que encontramos às dúzias, não apenas aqui em São Paulo.

Entre patéticos espressos com gosto de cloro, encontrei alguns acima da média. Mas não falarei de cafés específicos e seus sabores hoje. Falarei, na verdade, de um fator comum a quase todos que experimentei e da reflexão a que me levou.

99% dos espressos provados são aguados.É totalmente difundida a cultura do café ao menor custo, ainda que estejamos falando de cafés cuja imagem é trabalhada para manter-se aderida ao rótulo “gourmet”. Não vejo malandragem, no sentido de extrair o máximo de bebida, com o mínimo de grãos (maximizando o insumo caro com água). Vejo, sim, uma espécie de consenso sobre a capacidade de consumidor avaliar a diferença entre um café profissional e perfeitamente tirado e um café tirado em linha de produção.

A mesma origem cultural vejo para a indiferença da maior parte das pessoas em relação aos cafés filtrados. Qualquer um serve, basicamente. Desconhecimento é um motivo demasiadamente superficial. Desinteresse, seria chover no molhado. Essa atitude, ou falta de, em relação ao café, mesmo sendo a bebida mais conhecida do mundo e especialmente cara aos brasileiros, é a ponta final de um iceberg cuja base é cultural. E a água que forma esse iceberg é a lógica capitalista de um determinado período histórico, circunscrito a um contexto já passado, mas não superado.

O café chegou aos Estados Unidos antes de sua industrialização, mas em compasso com esse processo foi que se massificou. À época, como já abordado em post anterior (post: “Por que tomamos cafés fajutos”), nem sequer havia um método de filtragem muito prático. Tomava-se café fervido na panela durante horas, o dia todo. Muitas doses, pouco sabor alto nível de cafeína no sangue garantido. A lógica era: o café deveria ser massivamente acessível para consumo diário, para não dizer “horário”. Era o elixir da alienação no trabalho! A produtividade encontrava seu combustível.

Na mesma época, o Brasil começava a se tornar grande exportador de café. Abundância de terras e mão de obra barata, além da concentração fundiária, eram as características produtivas brasileiras, o que favorecia a produção em latifúndios, em grande escala e sem nenhuma ênfase na qualidade do produto.

A cultura da qualidade passou ao largo de nossa cafeicultura, desde sua gênese, dadas as características de seu maior mercado consumidor. 70% do café do mundo era produzido no Brasil no auge da exportação do café, sendo 100% da produção de baixa qualidade, mas adequada ao consumidor norte-americano.

O hábito do brasileiro no consumo do café foi formado de maneira reflexa ao dos americanos, mas com adaptações regionais. Aqui, a industrialização não teve papel importante na formação desse hábito, mas a dos americanos, sim, teve. Um dos toques brasileiros ao café foi o acréscimo de açúcar. E não deve ser para menos. Nada melhor para contrastar com o amargor do café robusta, precaria e massivamente cultivado por aqui. E açúcar no Brasil sempre foi ingrediente abundante. Não apenas com o café constatamos a larga difusão de seu uso, mas também com a infinidade de doces melados da cozinha tradicional brasileira.

Até hoje, basta se sentar em um balcão de cafeteria e observar a quantidade monstruosa de açúcar que a maior parte das pessoas verte sobre o café. Uma andança pelo interior de SP ou MG e facilmente se verão as pessoas tomando uma xícara de café de garrafa com 4 ou 5 colheres de açúcar.

Não é para menos que, astutamente, a indústria do café ruim e barato o chama de café “tradicional”. Não há mentira em sua estratégia de marketing, mas há a cristalização de uma tradição arcaica, ultrapassada e sem razão de ser perpetuada.

Essa mesma tradição segue viva no preparo do espresso. Visto como mais “forte”, acaba sendo feito com muita água e pouco café. E tchau sabor! Não se consegue aproveitar o que um café tem de bom a oferecer, se não estiver bem tirado. Quando aguado, quase todos têm o mesmo gosto. Algo parececido com um chá concentrado, meio oxidado. Faça a experiência: vá a um lugar onde se sirvam bons espressos e sinta todo o gosto novo que jamais sentiu nos cafés de balcão regulares.

Vamos romper tradições! Explicarei como podemos começar:

Seja exigente com os espressos. Uma boa opção é peder 3/4 de xícara. A maior parte dos atendentes ou baristas entendem perfeitamente, ainda possa haver males-entendidos com os menos instruídos. É um risco a se assumir.

Se o café vier aguado, peça que seja tirado outro. Dificilmente isso é negado. Algumas caras de má-vontade podem vir, mas aí, basta riscar a cafeteria de sua lista. Frequente apenas as de bom atendimento. Isso tem mais poder de mudança do que pode parecer.

Converse com os atendentes sobre o café, explicando que não os quer aguados. Se apelarem para a regulagem da máquina, sugira que seja revista.

Para avaliar se o café está bem tirado, primeiro, fique atento ao gosto. Se parecer oxidado, ou seja, se tiver um gosto muito fechado e pouco agradável, com leve amargor, deve haver excesso de água e a qualidade do café não é das melhores. Quando for bom o café, mas houver muita água, a bebida estará como um chá um pouco mais forte. Você não estará tomando um espresso bom, como deveria ser.

Fisicamente, o bom espresso possui creme consistente e cor de caramelo. Isso quer dizer que houve boa extração dos óleos dos grãos, não está queimado e não está aguado. A velha maneira de se avaliar é: polvilhe o açúcar sobre a bebida e veja como os grânulos afundam. Se não houver muita resistência do creme, é mau indício.
E não se esqueça: tradições ruins devem ser rompidas!

 

Tags: , , , , , , ,

Café: a bebida e o ambiente

“Tomar um bom café” – uma experiência muito prazerosa, que agrada a muita gente. O aroma e o sabor da bebida constituem uma das mais universais memórias. Mas outras sensações relacionadas à bebida costumam povoar o imaginário coletivo. Essas lembranças passam pelas experiência socializantes proporcionadas pelo café, as conversas, os lugares, as pessoas. Por isso, atribuo muita importância às cafeterias, além dos cafés, propriamente ditos. Ambos os termos, frequentemente, se confundem, aliás. “Vamos a um café?” Entende-se facilmente que o convite é para uma cafeteria.

 

São Paulo, a terra do café, por excelência, ainda é pobre em grandes cafeterias. Encontram-se facilmente muitos pequenos cafés de bairro. A maior parte, amadores. Agradáveis pontos de parada para boas conversas, comer um pão de queijo, ou um doce. Mas poucos servem cafés bem tirados, de boa qualidade.

Em férias, me lembrei de uma das poucas cafeterias de São Paulo. Dessas grandes, onde o café é bem tirado e há muitas mesas para nos sentarmos para ler, conversar e tomar outras bebidas especiais – o Café Santo Grão. Havia estado lá há uns 3 anos, quando não gostei muito da passagem. Mas nem me lembrava bem o porquê. Quis tentar novamente, agora com outros conhecimentos, outros parâmetros de comparação. Não gostei muito, outra vez.

 O mais curioso, é que o lugar parece ter todos os requisitos para a perfeição em café. É muito bonito, tem uma carta com boa variedade de tipos de cafés (Sul de Minas, Mogiana, Cerrado – este não está na carta, mas há, todas as variedades brasileiras principais de arábica, em suma).

 Garçons e garçonetes ágeis e bem vestidos, cuja beleza parece ter sido critério de contratação, atendem por todo o salão, freneticamente.

 A casa é muito movimentada, mesmo em pleno meio de tarde de meio de semana.

 Sentei-me no fundo, perto de uma enorme e linda aparelhagem de torra. O balcão, se divide com diversos moinhos de café. Ambiente interessante e um gesto gentil: o dono, ou gerente, me entregou as cartas (comidas e bebidas). Em seguida, fui um pouco abandonado, e como percebi que, de costas para porta, seria difícil ser atendido, fui para um balcão perto do salão externo. Uma garçonete me entregou outra carta. Assim que fiz meu pedido, constituído de apenas um café, senti um claro desinteresse por parte dela. Pedi um café “Cerrado”, mas quis mudar quando vi que não constava da carta essa variedade. Fui até perto do caixa, onde se encontrava a garçonete. Ela rasgou o papel com o pedido anterior, num gesto brusco.

 O café estava muito bem tirado. O sabor era agradável. A qualidade da bebida era indiscutivelmente boa. Mas havia algo de estranho me desagradando. Era o ambiente elitista. Nada contra, nem a favor, mas a mim não agrada. Às mesas, mulheres excessivamente maquiadas, vestidas de grifes. Homens de aparência cara e reluzentes relógios tipo Rolex. Mercedes e BMW ´s parando na entrada a todo tempo. Eu estava num tipico estabelecimento da Oscar Freire, a Beverly Hills brasileira.

 Passou a fazer algum sentido o desinteresse instantâneo da garçonete, quando pedi apenas um café (por sinal, o expresso mais caro que já tomei, ainda que eu considere justo o preço).

 Dispenso esse tipo de ambientes, por gosto pessoal. Tomar um bom café, para mim, demanda mais tranquilidade, menos jogo de aparências.Esperei pela hora em que Chiquinho Scarpa fosse desembarcar naquela entrada. Um pouco difícil não se sentir incomodado com tamanha pompa. É o que chamaria de um arranjo tipicamente “over”. Passa dos limites. Aprecio mais simplicidade e hospitalidade.

 Não recomendo, nem “desrecomendo” o Santo Grão! Para quem quiser provar uma boa bebida, vale a pena visitar. E que cada um fique atento às próprias impressões. O Santo Grão é também um bom lugar para se comprar cafés. Podem-se comprar ali diversas variedades de arábica. Os preços são altos, mas não chegam a ser absurdos. Bom café!

 Santo Grão: rua Oscar Freire, 413 – Jardins – São Paulo

 

Tags: ,

 
Brasilagro

Brasil Agribusiness News - Brasil Agronegócios

Hearts and Minds

O que não muda é que tudo muda.

Tom Fernandes

"‎Quando eu era menino, todos me chamavam de mentiroso. Agora eu sou adulto, e me chamam de escritor." Isaac Bashevis Singer

Kelly Cristina

A única fonte de felicidade está dentro de nós mesmos, e deve ser repartida. Repartir as alegrias é como espalhar perfume sobre os outros: sempre algumas gotas acabam caindo sobre nós mesmos. Sou apaixonada pela minha familia e pelo meu trabalho, sei que a cada dia eu tenho a oportunidade de aprender um pouco mais.

Seu Dinheiro na Internet

Ganhe Dinheiro na Internet sem vender sua alma.

O Mochileiro

Mochila, cultura e experiência.

IMPRESSIONARE (21)99584-4658 (21)3627-5431

Orçamentos: contato.impressionare@gmail.com

Paulo Junior's Blog

"As dificuldades devem ser usadas para crescer, não para desencorajar. O espírito humano cresce mais forte no conflito.” (William Ellery Channing)

CB - CARLOS BESSA ASSESSORIA E VENDAS

vendas; setor moveleiro; mobiliário; treinamento; gestão de vendas; representação

jsazevedoja

Este site WordPress.com é supimpa

Uma dose

Só para garantir.

Nádia Jung

Porque às vezes as palavras têm de dar lugar ao silêncio, porque às vezes só um gesto inconsciente pode provocar a captura do inexplicável, porque o olho sabe antes que a mente, porque a fotografia é necessária na minha vida ...

Café Etrusca

Café, café de especialidad, café gourmet, insumos para cafetería, maquinaria para cafeterías, mobiliario para cafeterías, barista champ

Desenvolvendo ABAP/4

Just another WordPress.com weblog

tmenegatti

Thiago Menegatti

Dedo-no-zoio

Por que o mundo é dos espertos!

%d blogueiros gostam disto: