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Arquivo da tag: café africano

Brasil = Cuba do café

É de conhecimento geral que o Brasil é um dos países mais protecionistas do mundo, e no que diz respeito ao café isso é especialmente aberrativo.

Você que está lendo, já degustou um café colombiano no Brasil? Ou conhece alguém que já o tenha feito?

Estamos falando de um país fronteiriço, um dos mais famosos produtores de café, mundialmente conhecido por isso, a Colômbia!

Se você já pode provar um café colombiano, provavelmente, foi por ter sido trazido por algum conhecido que viajou a outro país, e não própria Colômbia, uma vez que os cafés deles são exportados e encontrados no mundo todo. Menos no Brasil!

E o que dizer dos cafés africanos ou da Oceania? Da América Central? Nem pensar em saboreá-los por aqui.

Mas o Brasil não tem os melhores cafés do mundo?

O Brasil não é o maior produtor de café do mundo?

“Sim” é a resposta para ambas as perguntas, “pero no mucho” como diria a caricatura do argentino!

O Brasil tem excelentes cafés, mas isso é estar entre os melhores e não ser monopolista deles. Além disso, cada um tem um gosto! Por que não posso preferir um café da Guatemala a um excelente café de Pinhais?

Somos sim os maiores produtores – predominantemente de robusta, com ênfase no baixíssimo preço e no alto volume. Produzimos também muito café arábica, mas isso é recente e boa parte do  produzido nem chega para o consumidor interno.

Enfim, vivemos numa espécie de Cuba do café: nada de fora pode entrar, seja como for e quanto houver do produto nacional!!

Atualmente até se encontra café importado em alguns mercados brasileiros, ainda que em pouca variedade e a preços não muito convidativos (esse aspecto só não é pior, porque o nacional consegue ser tão caro que os preços são comparáveis).

Café importado se encontra, em São Paulo: na rede San Marché e no Empório Santa Luzia.

Todos, porém, industriais, de qualidade mediana ou baixa, em torras escuras e nada frescas.

Uma das razões mais óbvias para isso é: o imposto de importação para esse produto varia de 100 (isso mesmo, cem!) a 110% sobre o preço total, que inclui o do frete!

Mas não é impossível provar, no Brasil, cafés verdadeiramente diferentes e saborosos do mundo afora. Logo mais, falo disso!

 

 
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Publicado por em 30 de outubro de 2016 em Cafés estrangeiros, Preparo

 

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Café: um por um

Esse blog surgiu com um proposta objetiva, de falar individualmente de cafés e cafeterias. Entretanto, meu interesse por tudo que envolve café foi preponderante na elaboração dos posts. O blog se tornou, então, mais abrangente. Nesse momento, quero retomar a proposta inicial, na forma de uma série especial de posts sobre cafés, marca por marca. Espero, com isso, criar um guia inédito para o apreciador de café.

Aceitos sugestões sobre marcas a serem provadas e analisadas (o que pode ser feito utilizando o botão “comentário”).

Os posts obedecerão a apenas duas categorias:

(1) Arábica  e (2) Robusta.

(1) Lembrando sempre que, a variedade arábica dá origem aos cafés chamados gourmets, de sabor mais suave, complexo e agradável. Dentre as dezenas de variedades de plantas de café, é essa a que pode produzir cafés especiais em escala comercial.

(2) A variedade robusta é a que produz o (eufemisticamente) chamado café tradicional. Com ele, produzimos uma bebida mais grosseira, adstringente, amarga e pesada. Contudo, vale destacar que a má qualidade de nosso café tradicional é mais resultado de adulterações do produto, como acréscimo de materiais estranhos, como palha de milho, borra seca, pó, terra, serragem, entre outros. Para sacramentar a malandragem, adiciona-se corante caramelo (sabor amargo que mascara outras adulterações) e faz-se uso de uma torra forte, também para disfarçar a má qualidade.

A planta do robusta é capaz de produzir em escala comercial em climas quentes e úmidos e baixas altitudes.

Essa variedade foi a única cultivada no Brasil desde o início, até muito pouco tempo atrás. Hoje, cresce incessantemente o cultivo de arábica. No entanto, no Espirito Santo e na Bahia, estados produtores, ainda predomina o cultivo do robusta. É também comum seu cultivo em alguns países africanos.

A produção de robusta bem serviu ao produtor brasileiro enquanto os Estados Unidos foram destino quase único do café brasileiro, nos períodos que incluíram os históricos ciclos exportadores de café. Nesse país, o café foi combustível da industrialização, mantendo o trabalhador mais ativo sob cruéis condições de trabalho.

De dez anos para cá iniciou-se uma revolução gradual no consumo nacional, com aumento do conhecimento sobre café por parte do consumidor, e consequentemente, de seu nível de exigência. Entretanto, não foi esse, mas sim o mercado exterior, o principal impulso de mudança. O café arábica possui um valor muito mais alto de mercado e é muito mais desejado pelos países ricos. Uma vez que existam condições técnicas para atender a essa demanda, nada mais lógico a ser feito. A lógica capitalista imperou. Nenhuma surpresa.

Alta Mogiana, Sul de Minas. Norte Pioneiro (Paraná) e Cerrado são nomes de regiões produtoras já famosas no Brasil, já com grande apelo comercial. Observa-se um padrão de identidade regional forjado de forma semelhante ao que aconteceu com os vinhos, cuja maior referência para o consumidor é a denominação de origem (uma vez que os tipos de uvas estão relacionados com regiões específicas em que melhor se adaptam ou se originam).

Nessa série especial falaremos de cafés de todas essas regiões, além de cafés estrangeiros e cafés tradicionais. Procurarei indicar sempre como e onde comprei cada café comentado, de maneira que o leitor, na maioria das vezes, poderá fazer a própria prova para eleger seus favoritos. A idéia é contar o milagre e também o santo!

Série especial “café – um por um”. Proximamente, nesse blog!

 
2 Comentários

Publicado por em 30 de abril de 2012 em Cafés gourmet - marcas e opinião

 

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