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Prensa Francesa

A ferramenta de fazer café que mais desperta curiosidade. Assim posso definir, com segurança, a prensa francesa.

Aqui neste blog, um post dos mais antigos dentre todos, sobre ela, é até hoje um dos mais acessados.

Nada melhor, então, que voltar a falar desse método de preparo!

Trata-se de uma jarrinha cilíndrica e um êmbolo metálico. A prensa parece uma adaptação feita com base em seringas médicas. O princípio guarda semelhança, e ao mesmo tempo, tem uma diferença essencial.

O êmbolo da prensa é vazado, e, em vez de comprimir o líquido para que saia por um orifício, como veremos ser o caso a Aeropress, ele o comprime para separar a bebida preparada por infusão dos grânulos de café.

O uso da prensa é simples, mas não tanto quanto parece! Segue um passo-a-passo:

  1. Usando café em moagem grossa, verter a quantidade desejada (de acordo com o gosto do apreciador – a definição da quantidade deve ser obtida por tentativa e erro).
  2. Verter sobre o café, água fervente (sim, fervente – com o tempo constatei que para produzir boa infusão, água semi-fervente não é adequada).

  3. Misturar com  uma colher. Observe a formação de creme – quanto mais espesso, melhor, mas se muito escuro, deverá estar havendo sobre-extração (a bebida ficará bastante forte, mas isso poderá agradar a alguns).

  4. Após cerca de 2 minutos, comprimir a bebida com o êmbolo, empurrando-o contra o fundo do recipiente, até chegar ao fundo. Deve-se fazer isso gentilmente, pois muita força e muita rapidez farão com que grânulos de café vazem pelas beiradas do filtro metálico. É preciso dar tempo de a água ir passando pelo filtro sem forçá-lo em excesso.

  5. Servir a bebida segurando a prensa pela alça e usando o a outra mão, ou o polegar da mesma mão (se a escala permitir) para manter o filtro encostado no fundo, comprimindo o café separado da infusão, me maneira a evitar que vaze para a bebida.

A primeira xícara conterá algum creme, pois o filtro metálico permite a passagem de parte do creme formado pela infusão à bebida. Lembrando sempre que café com creme, de verdade, somente o espresso.

Vantagens da prensa:

Praticidade, café com um pouco de creme, e a principal: intensidade do sabor. Podemos pensar como vantagem, também, na plasticidade do preparo com a prensa – é um instrumento bonito, engenhoso e que favorece o ritualismo do preparo do café.

Desvantagens da prensa:

Os bons modelos são caros. E a principal: dificuldade em obter café na moagem adequada. Há de se ter moedor, ou comprar café moído em cafeterias, ou pela internet, com moagem para prensa.

Entretanto, não é fácil moer café de maneira que fique totalmente adequado à prensa, pois a maior parte dos aparelhos não proporciona uma moagem suficientemente uniforme. Isso é, entre os grânulos grandes haverá grânulos bem menores, que poderão passar pelo filtro da prensa. A bebida poderá parecer conter pó em excesso – a bebida poderá se assemelhar a um café árabe.

A depender do gosto do apreciador, isso incomoda ou não.

Abaixo, dois modelos de prensa que considero muito bons.

Prensa Francesa Starbucks

Prensa Francesa Starbucks

Prensa Francesa Bialetti

Prensa Francesa Bialetti

 
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Publicado por em 26 de junho de 2015 em Ferramentas de preparo, Preparo

 

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Cápsulas

banheiro

Hoje falaremos do café de cápsulas, um dos mais novos métodos de preparo.

A cafeteira de cápsulas é semelhante a uma máquina de espresso, mas em escala reduzida.

A bebida é a mais semelhante possível, dentre todos os métodos, ao espresso.

Quando se fala de cafeteiras domésticas, são essas bastante atraentes, tanto pelo tamanho compacto, quanto pelos desenhos modernos e variados, em lindas cores (ainda que os fabricantes não disponibilizem no Brasil todas as cores que possuem).

O método é bastante prático e não suja utensílios domésticos, que não a própria xícara e colheres.

Eis os pontos mais positivos!

Agora vamos ao lado “B” das cápsulas!

As cápsulas de suprimento não são baratas (não que sejam caríssimas).

A limpeza do tanque das máquinas deve ser feita frequentemente, algo que passa despercebido no marketing da máquina – o uso frequente, logo de início, aponta para essa necessidade. Portanto, é necessário ter pia bem próxima.

E o principal problema, a meu ver; a limitação de sabores. Ainda que o mercado de cápsulas tenha sofrido grande ampliação nos últimos dois anos, após a queda da patente da Nespresso para o método, o sabor de quase todas as cápsulas tem um fator em comum. Algo como um gosto de queimado de fundo, que me soa bastante desagradável.

De início atribuo esse gosto universal às torras utilizadas – sempre excessivamente escuras, mesmo no caso dos cafés vendidos como sendo de torra clara.

Não direi que isso vale para todas as marcas, porque ainda não provei todas. Mas provei grande parte delas.

No entanto, existe uma solução para contornar esse problema: a fabricação própria de cápsulas. Sim, isso mesmo, nós mesmos podemos fabricar cápsulas, de acordo com nosso gosto e com o café que quisermos.

Cápsulas vazias, para preenchimento próprio, estão à venda. Há uma de fabricação francesa, a Capsul-in, adquirida facilmente pelo Mercado Livre (ou em similares), que constatei ser excelente. O preço delas é acessível, são práticas, bem feitas e funcionam à contento, com segurança para as máquinas.

Os copinhos são iguais aos das vendidas prontas, e uma cartela de adesivos aluminizados acompanha (podem ser compradas separadamente, também). Acompanha até mesmo um dosador e uma ferramenta plástica para colar o adesivo corretamente e depois selá-lo bem.

Com prática, nem é preciso usar as ferramentas – basta comprar um bom café e (o gosto será intenso, portanto, maus cafés serão horríveis na xícara) fabricar várias numa tacada só.

Outra vantagem dessas máquinas, vale para quem gosta de preparar outras bebidas na mesma máquina, como chás, chocolates, capuccinos e outras tantas, o que é possível em boa parte dos modelos.

O preço das máquinas alcança amplo espectro, mas as versões de entrada possuem preços relativamente bem atraentes (a partir de R$ 250,00)

As marcas mais disponíveis no mercado brasileiro são:

Nespresso, Arno Dolce Gusto, Três (da Três Corações) e Delta – todas incompatíveis entre si.

O café em cápsulas é dos mais práticos para escritórios, sobressaindo-se as vantagens. Para casa, não apresenta grandes vantagem comparativas.

Proximamente, leia sobre mais um método de preparo doméstico.

 
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Publicado por em 29 de maio de 2015 em espresso, Preparo

 

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Não tome porcarias!

Estou chegando à conclusão de que os cafés que se compram nos supermercados do Brasil são tudo, menos café. Aquilo é anti-café!
Basta abrir o pacote e cheirar o produto: parece veneno BHC. É muito estranho. Não sei o porquê desse odor, mas café de verdade não cheira assim.
Faça uma experiência simples. Vá a uma das cafeterias sugeridas aqui nesse blog, ou compre café pela internet (pode-se usar algum link sugerido em nossa página principal). Abra o pacote. A partir desse momento já começará uma experiência olfativa de abrir o apetite! Dá vontade de comer o café, não de bebê-lo. Ao passo que essas porcarias que nos vendem nos mercados, mais parecem adubo químico.
Caso tenha em mãos uma das famigeradas almofadas de café, típicas do Brasil, nem pense em usar nenhuma das dicas de preparo desse blog! Não existe mágica que faça de produtos de quinta categoria, uma bebida agradável.
Isso tudo pode parecer frescura ou radicalismo, mas desafio qualquer um a fazer a prova proposta acima.

Ainda que seja enraivante saber que no maior produtor de café do mundo, 90% das pessoas tomem um pó químico com água fervente e chamem isso de café, vale a pena ter consciência disso. Café de verdade é uma bebida agradável, que não precisa, quase, de açúcar. Não causa azia nem ataca o estômago.

O café de verdade é claro, diferentemente da tinta de polvo que se acha nas garrafas térmicas de quase todo escritório. Sua cor lembra ferrugem e seu gosto é livre de amargor.
Recomendo ostensivamente: esqueça o falso café dos mercados e descubra o verdadeiro café! Gaste 10 reais em um quarto de café gourmet em vez de 5 reais em um pó químico amargo.
Aliás, o justo seria o chamado café gourmet chamar-se apenas café. O que hoje se conhece por café tradicional, deveria ser rebatizado. Que tal cafeína em pó não adoçada?

 

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Tradições para serem quebradas

Ultimamente tenho diversificado minhas degustações de cafés espressos. Tentando driblar a escassez de cafeterias legais em São Paulo, tenho arriscado tomar espressos em pequenos “cafés”, mais discretos. Desses que encontramos às dúzias, não apenas aqui em São Paulo.

Entre patéticos espressos com gosto de cloro, encontrei alguns acima da média. Mas não falarei de cafés específicos e seus sabores hoje. Falarei, na verdade, de um fator comum a quase todos que experimentei e da reflexão a que me levou.

99% dos espressos provados são aguados.É totalmente difundida a cultura do café ao menor custo, ainda que estejamos falando de cafés cuja imagem é trabalhada para manter-se aderida ao rótulo “gourmet”. Não vejo malandragem, no sentido de extrair o máximo de bebida, com o mínimo de grãos (maximizando o insumo caro com água). Vejo, sim, uma espécie de consenso sobre a capacidade de consumidor avaliar a diferença entre um café profissional e perfeitamente tirado e um café tirado em linha de produção.

A mesma origem cultural vejo para a indiferença da maior parte das pessoas em relação aos cafés filtrados. Qualquer um serve, basicamente. Desconhecimento é um motivo demasiadamente superficial. Desinteresse, seria chover no molhado. Essa atitude, ou falta de, em relação ao café, mesmo sendo a bebida mais conhecida do mundo e especialmente cara aos brasileiros, é a ponta final de um iceberg cuja base é cultural. E a água que forma esse iceberg é a lógica capitalista de um determinado período histórico, circunscrito a um contexto já passado, mas não superado.

O café chegou aos Estados Unidos antes de sua industrialização, mas em compasso com esse processo foi que se massificou. À época, como já abordado em post anterior (post: “Por que tomamos cafés fajutos”), nem sequer havia um método de filtragem muito prático. Tomava-se café fervido na panela durante horas, o dia todo. Muitas doses, pouco sabor alto nível de cafeína no sangue garantido. A lógica era: o café deveria ser massivamente acessível para consumo diário, para não dizer “horário”. Era o elixir da alienação no trabalho! A produtividade encontrava seu combustível.

Na mesma época, o Brasil começava a se tornar grande exportador de café. Abundância de terras e mão de obra barata, além da concentração fundiária, eram as características produtivas brasileiras, o que favorecia a produção em latifúndios, em grande escala e sem nenhuma ênfase na qualidade do produto.

A cultura da qualidade passou ao largo de nossa cafeicultura, desde sua gênese, dadas as características de seu maior mercado consumidor. 70% do café do mundo era produzido no Brasil no auge da exportação do café, sendo 100% da produção de baixa qualidade, mas adequada ao consumidor norte-americano.

O hábito do brasileiro no consumo do café foi formado de maneira reflexa ao dos americanos, mas com adaptações regionais. Aqui, a industrialização não teve papel importante na formação desse hábito, mas a dos americanos, sim, teve. Um dos toques brasileiros ao café foi o acréscimo de açúcar. E não deve ser para menos. Nada melhor para contrastar com o amargor do café robusta, precaria e massivamente cultivado por aqui. E açúcar no Brasil sempre foi ingrediente abundante. Não apenas com o café constatamos a larga difusão de seu uso, mas também com a infinidade de doces melados da cozinha tradicional brasileira.

Até hoje, basta se sentar em um balcão de cafeteria e observar a quantidade monstruosa de açúcar que a maior parte das pessoas verte sobre o café. Uma andança pelo interior de SP ou MG e facilmente se verão as pessoas tomando uma xícara de café de garrafa com 4 ou 5 colheres de açúcar.

Não é para menos que, astutamente, a indústria do café ruim e barato o chama de café “tradicional”. Não há mentira em sua estratégia de marketing, mas há a cristalização de uma tradição arcaica, ultrapassada e sem razão de ser perpetuada.

Essa mesma tradição segue viva no preparo do espresso. Visto como mais “forte”, acaba sendo feito com muita água e pouco café. E tchau sabor! Não se consegue aproveitar o que um café tem de bom a oferecer, se não estiver bem tirado. Quando aguado, quase todos têm o mesmo gosto. Algo parececido com um chá concentrado, meio oxidado. Faça a experiência: vá a um lugar onde se sirvam bons espressos e sinta todo o gosto novo que jamais sentiu nos cafés de balcão regulares.

Vamos romper tradições! Explicarei como podemos começar:

Seja exigente com os espressos. Uma boa opção é peder 3/4 de xícara. A maior parte dos atendentes ou baristas entendem perfeitamente, ainda possa haver males-entendidos com os menos instruídos. É um risco a se assumir.

Se o café vier aguado, peça que seja tirado outro. Dificilmente isso é negado. Algumas caras de má-vontade podem vir, mas aí, basta riscar a cafeteria de sua lista. Frequente apenas as de bom atendimento. Isso tem mais poder de mudança do que pode parecer.

Converse com os atendentes sobre o café, explicando que não os quer aguados. Se apelarem para a regulagem da máquina, sugira que seja revista.

Para avaliar se o café está bem tirado, primeiro, fique atento ao gosto. Se parecer oxidado, ou seja, se tiver um gosto muito fechado e pouco agradável, com leve amargor, deve haver excesso de água e a qualidade do café não é das melhores. Quando for bom o café, mas houver muita água, a bebida estará como um chá um pouco mais forte. Você não estará tomando um espresso bom, como deveria ser.

Fisicamente, o bom espresso possui creme consistente e cor de caramelo. Isso quer dizer que houve boa extração dos óleos dos grãos, não está queimado e não está aguado. A velha maneira de se avaliar é: polvilhe o açúcar sobre a bebida e veja como os grânulos afundam. Se não houver muita resistência do creme, é mau indício.
E não se esqueça: tradições ruins devem ser rompidas!

 

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Xícara: o detalhe que faz diferença


Durante muito tempo acreditei que falar sobre xícaras seria falar sobre perfumaria.
Mas em se tratando de café, o recipiente em que é servido influencia sua apreciação! Demorou, mas percebi mais essa nuança no hábito de tomar e apreciar cafés.
Três fatores podem ser considerados na hora da escolha: formato, material e aparência.
Se for para tomar um café filtrado, o mais comum no cotidiano da cultura brasileira, sugiro uma xícara feita de vidro térmico e tamanho médio. A boca larga e o formato de concha são melhores para cafés de garrafa térmica, feitos em grande quantidade, e, geralmente, bem quentes. Assim, o risco de queimar a boca é menor. Além disso, café pelando é prejudicial ao paladar.
Variações podem ser feitas em virtude da temperatura ambiente ou da intensão de tomar a bebida rapidamente, ou aos mais lentamente. Quanto mais larga a boca da xícara, maior a superfície de contato com o ar, o que causa o resfriamento mais intenso, de acordo com a temperatura ambiente.
Para espressos, o raciocínio é semelhante em muitos aspectos. Entretanto, para essa deliciosa maneira de preparo, são preferíveis as xícaras de louça e pequenas. Há bonitas xícaras em vidro, mas esse material conserva menos a temperatura alta, o que é ruim para espressos, que vêm em quantidades pequenas. Quanto ao formato, as melhores são as cônicas, com a boca larga e o fundo estreito. Assim, podemos ver bem a cor e consistência do creme, e o principal, podemos apreciar bem o aroma.
Xícaras cilíndricas são ruins para espressos, apesar de serem o formato mais comum e fácil de encontrar à venda. Essas xícaras são boas para o famoso cafezinho, aquele feito em casa, em pequenas quantidades, mas para espressos são completamente inadequadas.Nesse caso, é importante uma exposição desproporcional da superfície, da bebida, que deve ser maior que a do corpo. Assim, não queimamos a boca, pois enquanto a parte exposta esfria, o restante permanece quente, esfriando à medida em que se bebe, sempre mais rapidamente na superfície.
Para mim, a xícara ideal para espressos, além de ser de louça e ter formato cônico, deve ter a borda espessa e arredondada, o que a torna mais confortável ao contato com os lábios. Entretanto, xícaras assim não são nada fáceis de se encontrar à venda. Eu mesmo, tenho apenas uma dessas de minha preferida:é a que era usada pelo Café do Ponto até há uns dois anos atrás. Eu a consegui comprando-a nessa própria cafeteria. E aqui fica uma dica, ou truque, para adquirir boas xícaras (a preços aceitaveis, geralmente): sempre que se goste de uma xícara em uma cafeteria, perguntar se estão disponíveis para venda. Boa parte das vezes, é possível, sim, adquirí-las, com pires, por 10 ou 15 reais, em média. Mas atenção: as cafeterias não costumam anunciar isso. É preciso perguntar!
Infelizmente, o Café do Ponto já não usa mais dessas boas xícaras. Foram substituídas por outro modelo (bom também, mas não como as antigas!). Entretanto, uso-a como exemplo de modelo perfeito para espressos (vide imagens do post).
No próximo mês, entrará em nossa pauta uma pesquisa de xícaras boas, e que possam ser adquiridas pela internet! Portanto, não deixe de acompanhar nosso blog e não deixe de oferecer sugestões e dar sua opinião por meio dos comentários!

 
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Publicado por em 11 de abril de 2011 em Para tomar café

 

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Um prazer diário ao seu alcance

Ultimamente, tenho reparado no quanto as pessoas que vêm à minha casa se surpreendem com a maneira como preparo café. Minha máquina doméstica (amadora) de espresso, uma Britânia de 300 reais, causa tanto espanto quando meu pequeno moedor Cadence (60 reais).
Quando ofereço um café, todos acham muito interessante o processo de escolha dos grãos, seguido pelo da moagem, para então extrair o espresso. Uma reação comum ao experimentar a bebida, é adicionar 3 ou 4 colheres de açúcar!
Penso no desperdício de sabor. O frescor do grão recém-moído sendo apagado pelo açúcar! Mas logo em seguida penso: cada um tem um gosto! Entretanto, pensando com mais calma, concluo que essa consideração respeitosa pelo gosto alheio, nada mais é que tentantiva de acobertar um fato lamentável: o café ainda é um completo desconhecido da maior parte das pessoas. Posso extrapolar isso para a idéia de que o café é um estranho para o brasileiro. E o pior: poucos têm consciência disso, o que faz com que praticamente ninguém se importe com esse fato!
Por vezes me sinto um excêntrico quando preparo um espresso em casa, o que não anula a vontade que tenho de ajudar isso a mudar. As pessoas estão perdendo a chance de ter um grande prazer: o de sentir o gosto do frescor de um bom café moído na hora. Trata-se de uma bebida muito diversa daquela que a imensa maioria de nossos conterrâneos bebe no dia-a-dia: quase um falso cognato! Ela deveria ter outro nome, que não, café.
Mas o que será que contribui para essa massiva ignorância (não no sentido pejorativo) a respeito da diferença entre um café bem preparado, com grãos arábica e a bebida adstringente escura e amarga, preparada com grãos robusta moídos, geralmente de má qualidade. Os quilos de açúcar adicionados ajudam a mascarar, nivelando por baixo as duas bebidas. Em gesto automático, meus convidados despejam açúcar xícara-abaixo em meus espressos!
Estou aceitando a opinião dos leitores desse blog. No entanto, arrisco algumas explicações, tanto generalistas, quanto algumas mais específicas, referentes ao universo do café.
Nós brasileiros, na verdade, não somos acostumados a quase nada de boa qualidade. Aqui, o bom é elitizado e vira produto de luxo, enquanto no eixo EUA – Europa Ocidental – Japão, o ruim é marginalizado pela conconrrência, já que quase todos têm acesso a muitas opções de tudo. Trato isso apenas como um fato, agora, de maneira acrítica, já que as razões para isso são históricas.
Mas acontecer isso com café é o cúmulo! Há que se mudar isso. Somos o maior e melhor produtor mundial! E de 10 anos para cá, temos muito mais acesso a bons cafés do que pensamos. Por 20 reais o quilo, é possível adquirir grãos ou pó da variedade arábica! Enquanto isso, uma almofada do tosco café que usamos automaticamente, custa 5 ou 6 reais – ou seja, o quilo custa 10, 12 ou até mais reais! E quando estive na Argentina percebi que somos tão privilegiados com café, quanto eles com vinho! O horroroso café argentino me fez ver que temos acesso a ouro em pó, a preço de terra de jardim!
Temos internet (ainda que de péssima qualidade, relativamene ao mundo), podemos acessar sites de compra de café, e, em 10 minutos, termos cafés excelentes entregues em nossa porta (por menos de 20 reais).
O equipamento para espresso ainda é relativamente caro e escasso. Mas com uma prensa francesa ou mesmo um coador, podemos tomar um café muito bom!
Temos de acordar! Dispensar mais que 10 minutos quinzenais e escolher um bom café, ficar atento às marcas e criar preferências, “fuçar” com o Google, observar o pó, as quantidades, a água! Tudo isso pode ser fonte de um prazer ainda muito desconhecido!

 
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Publicado por em 3 de janeiro de 2011 em Hábito e cultura do café

 

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Cafezinho do Mallandro

Ainda é bem baixa a qualidade média dos cafés a venda no varejo brasileiro, o que é lamentável, pois produzimos os melhores cafés do mundo. Nós, consumidores caseiros, ainda podemos facilmente encontrar o verdadeiro “cafezinho do Mallandro” (só fazendo uma alusão às brincadeiras do famigerado apresentador) embalado em simpáticas almofadas! Vejamos o que a ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café) divulga estar fazendo contra isso; ela anuncia que faz uma verdadeira cruzada contra a fraude do café. E é o que se espera dela, já que seu selo de qualidade deve ser uma garantia ao consumidor.
Eu mesmo já mencionei em mais de um post, que ao comprar cafés de almofada a preço de banana nanica de fim de feira, é quase certo que se está coando diversas “porcarias” ao jogar água sobre o pó preto chamado de café por algumas marcas. Pois bem, a ABIC diz se esforçar em minimizar esse tipo de fraude, por meio de testes e fiscalização. Segundo a associação, de 1989 para cá, a porcentagem de marcas que burlavam a legislação caiu de 30% para 1%. Mas acredito que esses números devam ser relativizados. Primeiro, porque mesmo com a fiscalização, há sempre os que escapam. Depois, porque há cafés que sequer carregam o selo da ABIC.
Agora vamos a algumas das impurezas encontradas em alguns cafés pela própria ABIC, ao longo de 18 anos de ação: palha de café, milho, cevada e melaço. Acrescento o que já vi em outras matérias de jornal, ao longo de 5 anos de pesquisa: pó de tijolo, terra, borra de café, palha de milho e corante caramelo (aumenta o amargor). Fora a usual torra fortíssima, que deixa o café mais amargo e escuro, passando a impressão de que o pó “rende mais”, para quem conhece apenas cafés fajutos, como boa parte dos consumidores brasileiros (por conta da histórica falta de boas opções no mercado).
Segundo a ABIC, o aumento da oferta de produtos adulterados e impuros está diretamente relacionado à guerra comercial, travada por meio de preços muito baixos ao consumidor. Um vice-diretor de qualidade da entidade ressalta que “preço baixo não se consegue por milagre, mas sim com compra de cafés muito abaixo do nível de qualidade, e portanto, com alto índice de impurezas, ou com a prática de fraudar o café, adicionando produtos mais baratos”.
Claro é, que, a depreciação dos preços do café não interesse à ABIC. Quanto mais valorizado for o produto, melhor para os produtores. Nada mais natural, então, que combata a guerra comercial. Mas o fato é que, para nós, que apreciamos o reanimador puro café, essas trapaças tampouco convém! Afinal, quem quer tomar caldo de palha de milho, tijolo e caramelo?
A ABIC argumenta que mantém uma coleta de cafés em diversos pontos de venda, afim de levá-los à análise. Com os resultados de laboratórios credenciados, pode denunciar fraudadores ou julgar algumas marcas inaptas a receber seu selo. Associados e não associados seriam objetos de avaliação constante.
Em futuros posts, voltarei a esse assunto – tentarei listar marcas famosas aprovadas e desaprovadas, mesmo sem ajuda da ABIC, que não divulga essa lista completa. Mas por ora, vale o bom-senso. Cafés excessivamente escuros e amargos, devem ser olhados com desconfiança, já que a torra excessiva pode ser usada para tentar mascarar a má qualidade do produto, e a adição de caramelo (corante). Fiquem atentos também ao excesso de adstringência, outro mal sinal.
Agora, para garantir o cafezinho sem “caldo”, só mesmo moendo os próprios grãos, ainda que não sejam arábica, ou comprando moídos na hora.
Fonte de consulta: http://www.abic.com.br/jcafe/jcafe_ed157_p33.pdf

 
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Publicado por em 25 de novembro de 2010 em O café no Brasil

 

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