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Arquivo mensal: novembro 2011

Como adoçar o café?

Os provadores profissionais de café fazem seu trabalho sempre sem açúcar no café. Assim, podem identificar todas as propriedades da bebida. Bom para eles! Mas para quem quer saborear seu café e extrair o máximo de prazer dessa experiência, não aconselho a fazê-lo com café puro. O café puro tem um gosto demasiadamente agressivo.

Vejo o momento de tomar café como uma pausa do cotidiano, destinada a recarregar as baterias, quebrando o ritmo dos afazeres diários. Tomar café sem açúcar para sentir as puras características dele é uma tarefa – o justamente o afazer do provador profissional – mas não o nosso!

Entretanto, adoçar em excesso estraga o café, pois tudo que ele pode proporcionar de bom ao nosso paladar é simplesmente sobreposto pelo açúcar.

No Brasil, o açúcar é onipresente. É o que mais produzimos, desde a chegada dos europeus, no século XVI. Nada mais natural do que usá-lo para quase tudo, como os índios faziam com a farinha de mandioca. É abundante e barato. A indústria alimentícia se aproveita disso e derrama quilos de açúcar em quase tudo que nos vende. E como pouca gente conhece o verdadeiro gosto dos alimentos e bebidas, acaba-se perdendo a referência do bom paladar. Resultado disso para o café: quase todos vertem açúcar aos montes nas xícaras de café. Nada mais conveniente para a própria indústria do café no Brasil: o açúcar, adorado por quem não vive em sua ausência, mascara perfeitamente o gosto amargo dos cafés de qualidade pífia. Poucos são aqueles que têm consciência do que estão perdendo ao adoçar o café como se fosse fel.

Afirmo categoricamente: para uma xícara de café, uma colher pequena de açúcar é mais que suficiente. Mais que isso, vira melado, e, adeus gosto rico e agradável do café! Mas, claro, estamos pensando nos bons cafés. Mas com os ruins, esses de almofada, de 4 reais, a experiência serve muito bem ao propóstido da mudança: com pouco açúcar fica fácil perceber o gosto ruim dos maus cafés. Eis o germe da mudança de atitude!

Há, ainda, maneiras diferentes e muito boas de se adoçar café, alternativas ao açúcar comum refinado:

    • Açúcar mascavo: alguns não gostam, por interferir no gosto da bebida. Trata-se de uma maneira, ao menos, mais saudável de se adoçar. Afinal, o açúcar refinado passa por processos químicos para ficar branco.
    • Açúcar demerara: é uma espécie de meio termo entre o refinado e o mascavo. É como o cristal, só que menos refinado e não clareado  Bem mais saudável que o refinado. É ótima opção, mas precisa ser usado em maior quantidade, pois não se dissolve bem na bebida. Trata-se de um produto bastante barato e fácil de ser encontrado.
    • Mel: para mim, é a melhor alternativa. Com seu alto poder adoçante, pode ser usado em pequenas quantidades. Além de ser natural e saudável, a meu ver, combina muito com o café. É o que menos sobrepõe o gosto original da bebida.
    • Melado de cana: é bom também. Pode ser usado com bastante moderação, o que ajuda a manter uma dieta saudável. É um produto barato e ainda muito pouco usado. Bem melhor que açúcar, por ser livre de produtos químicos obscuros.
    • Adoçantes: são, de longe, a pior opção. Além de quase sempre serem usados de maneira imprópria, torna o café uma bebida completamente distorcida. O benefício de se usar adoçante, quandos e quer fazer dieta hipocalórica é dado por seu alto poder adoçante: mínimas quantidades são capazes de adoçar muito. Isso porque o adoçante é altamente calórico, ao contrário do que se costuma pensar. Só que seus adeptos, quase sempre, usam-no em grandes quantidades no café, achando que se trata de algo não calórico. Quem já não viu alguém apertar a bisnaga de adoçante e jatear o café com ele, ao invés de pingar 2 ou 3 gotas? Quem faz isso, além de estragar o café, está engordando mais do que com açúcar! E o que é pior de tudo no adoçante: o aspartame se degenera sob altas temperaturas, o que suspeita-se que o torna uma substância cancerígena. Teria de ser usado, no café, adoçante culinário.

    Deixo como sugestão a utilização do mel para doçar café. Mas como ideia mais importante, a de que adoçar o café é diferente de transformar a bebida em melado. Cada um deve achar o ponto preferido do gosto do café, mas adoçar moderadamente é algo a ser testado e experimentado como ideia nova, uma vez que vai de encontro aos costumes tradicionais brasileiros. Garanto que vale a pena!

Vale deixar um alerta contra os adoçantes dietéticos: além de serem a maneira mais distorciva de se adoçar café, podem ser maléficos à saúde.

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Brasil, a Cuba do café

Continuo insistindo na ideia de poder comprar cafés de diversas partes do mundo, aqui no Brasil. Desde que tive como adquirir alguns, de diferentes países, aprendi que há muitos cafés bons produzidos ao redor do mundo. E mais: que alguns deixam os nossos no chinelo.

Como experimentei cafés importados? ganhei de presente de amigos que foram para fora (principalmente EUA). Mas isso exigiu um preparo de terreno! Depois de espalhar direitinho que adoro café, que dedico parte de meu tempo às particularidades dessa bebida, surpreendentemente, comecei a ganhar essas lembranças das viagens de amigos. Excelente! Não se preocupem em me comprar nada em suas viagens! Mas se puderem me trazer um cafezinho, de preferência em grãos, me farão um bem enorme! Somando-se isso a uma compra que fiz no Amazon, aproveitando a chance de frete, proporcionada por meus mais, de passagem pela Gringolândia.

Com isso, experimentei cafés: colombianos, jamaicanos, dominicanos, mexicanos, havaianos e sumatrenses (qual será o adjetivo pátrio para Sumatra?). Até do Japão já me chegou café (obrigado, tia Márcia!). Mas claro, esse é só processado lá. Pois bem: 90% deles eram melhores que qualquer café brasileiro que eu haja experimentado antes. Acredito que apenas o Suplicy se equipare aos melhores, dentre os estrangeiros que provei. Destaco fortemente o café Juan Valdez, tradicional marca colombiana, o Blue Mountain, da Jamaica e o Santo Domingo, da República Dominicana.Sugiro, então, a todos que possam, que adquiram cafés estrangeiros e vejam do que somos privados em nosso país semi-soviético dos anos 70! Temos de ter, no mínimo, consciência daquilo de que somos proibidos de conhecer.Já comentei bastante em posts anteriores sobre a qualidade dos cafés mais consumidos no Brasil, bem como sobre a falta de tradição que temos em produzir os melhores cafés. É verdade, que nos últimos dez anos, houve mudanças – já produzimos ótimos cafés gourmets, mas não podemos nos comparar, em qualidade, a países com muito mais tempos de carreira! Em quantidade, somos campeões, mas em qualidade, ainda há muito a ser desenvolvido, por aqui!Nosso cafés são ótimos, mas não são os únicos. Cobrar impostos de importação para proteger a produção nacional, ok. Mas proibir a importação? Ao interesse de quem serve isso? É de se pensar!Recomendo uma passada pelo blog: http://mundodasmarcas.blogspot.com/2010/10/juan-valdez-cafe.html. Aí, se vê facilmente que o Café Juan Valdez tem presença em vários países produtores. Mas no Brasil? Sem chance!

 
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Publicado por em 3 de novembro de 2011 em Cafés gourmet - marcas e opinião

 
 
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