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Bolsa do café de Santos – o sabor do passado

27 jun

Para tomar um bom café em clima histórico, uma ótima idéia é visitar a Bolsa do Café de Santos. O museu, apesar de simples, fica numa centenária edificação, onde se negociavam as safras de café vindas do interior paulista.
O ambiente é bem-preservado, diferentemente da maior parte do patrimônio histórico do centro de Santos. Detalhes como o piso e teto adornados merecem um olhar contemplativo. O ponto alto é o saguão onde eram fechados os negócios da bolsa. O mobiliário da época, disposto em círculo, evoca as vozes dos vendedores e compradores que davam destino ao produto do suor de milhares de trabalhadores braçais.
Após o mergulho no passado, nada como se sentar em uma das mesas do “Café Museu”. Cuidadosamente mantida, a cafeteria tem belas mesas de madeira e um balcão para quem é fã de tomar café de maneira mais informal.
O atendimento é bastante bom e o cardápio de cafés e derivados é repleto de boas opções. Há 4 variedades de grãos para serem provados. Recomendo veementemente o “Sul de Minas”. Foi uma das raras vezes em que pude saborear um café verdadeiramente suave (o que geralmente é confundido com café aguado).
É possível também comprar café para preparar em casa. Moído ou em grãos.
Ao deixar a Bolsa, sugiro um passeio de bonde, que nos leva aos pontos históricos relaciondados à exportação de café, dos quais ressalto a estação ferroviária da Santos Jundiaí Raiway. A arquitetura vitoriana e a simbologia remetem intencionamelmente ao poderio britânico, exercido por longos anos sobre o Brasil.
Eis um ícone da conformação de nosso território e suas estruturas a interesses alheios aos nossos. Tudo foi construído para tornar eficiente o comércio do café, etapa do ciclo em que as elites e os estrangeiros realizavam seus altíssimos lucros, gerados sobre os lombos de animais e trabalhadores escravos ou servos.
Uma visita ao circuito cafeeiro de Santos revela-nos um paradoxo: a força que moveu nosso desenvolvimento por tantos anos, foi também aquela que nos moldou a necessidades estranhas ao nosso país. O sabor do café que ali se prova é inigualável, mas carrega consigo o gosto de um passado a ser superado.

Cafeteria do Museu:

Rua XV de Novembro, 95/01 – Centro, Santos-SP

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4 Respostas para “Bolsa do café de Santos – o sabor do passado

  1. Lizandra

    30 de outubro de 2013 at 19:54

    eu queria seber , sobre a mão de obra usado na lavoura de café
    -os escravos
    -os imigrantes
    e só muito obrigado(a)

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    • Noite Arábica

      1 de novembro de 2013 at 15:26

      Olá, Lizandra.
      Você pode pesquisar sobre o assunto de diversas maneiras – bibliotecas, museus, internet.
      O que podemos dizer é:
      O café sempre foi cultivado em plantations, de mão de obra escrava, e, posteriormente, de imigrantes europeus, com todos os problemas que conhecemos de longa data.
      Hoje, ainda é assim em muitas partes do mundo em que se cultiva café. Pelo menos a mono cultura ainda predomina, ao menos no Brasil.
      Entretanto, hoje há pequenos proprietários e cultivo mais sustentáel, sobretudo em países andinos como Colômbia, Equador e Peru. No Brasil também, mas é minoria.
      Está ligado ao café um legado de progresso econômico predatório e avanço econômico brasileiro. O modelo de cultivo sempre foi contraditório, com destruição ambiental convivendo com avanços tecnológicos e financeiros.
      A região da baixada fluminense, por exemplo, teve seus solos exauridos pelo cultivo mal manejado do café. O oeste paulista, também, em certa medida.
      A imigração foi estimulada, sobretudo, para ser fonte de mão de obra na lavoura do café, em São Paulo. Depois, Paraná.
      Eu existo graças a isso. A miscigenação genética e cultural predomina no Sul e no Sudeste brasileiros graças a isso.
      Felizmente, não temos apenas a pobre e retrógrada cultura lusitana e a primitiva africana. Mas isso poderia ter sido feito de uma maneira muito mais justa e melhor planejada.
      O legado do café é contraditório, mas muito mais construtivo que o da monocultura da cana, por exemplo.
      O ser humano é ainda muito problemático. Capitalismo e socialismo são expressões da contradição que permeia nossas vidas.
      Senti que sua colocação foi um pouco questionadora, e talvez, até, irônica. Mas acreditarei em sua busca por conhecimento. Além de aproveitar a oportunidade para expressar que aqui não faço apologia ao café como algo sagrada e imaculado. Muito menos, tenho qualquer vínculo com o marketing do café.
      Que tome café quem gostar e que todos conheçam a história de tudo que gostam. Seja café, carne, bebidas alcoólicas, ou que quer que seja.
      Atenciosamente,
      Paulo Quintana

      Curtir

       
  2. Burger

    5 de julho de 2011 at 4:19

    Sugestão: comenta o Coffee Lab, que abriu aqui na Vila Madalena!
    Parece show!
    Abs

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    • Apreciar café

      5 de julho de 2011 at 20:17

      Preciso ir lá mesmo. É da Isabella Raposeiras, não? Logo será comentado!

      Curtir

       

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