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Arquivo mensal: janeiro 2011

Um prazer diário ao seu alcance

Ultimamente, tenho reparado no quanto as pessoas que vêm à minha casa se surpreendem com a maneira como preparo café. Minha máquina doméstica (amadora) de espresso, uma Britânia de 300 reais, causa tanto espanto quando meu pequeno moedor Cadence (60 reais).
Quando ofereço um café, todos acham muito interessante o processo de escolha dos grãos, seguido pelo da moagem, para então extrair o espresso. Uma reação comum ao experimentar a bebida, é adicionar 3 ou 4 colheres de açúcar!
Penso no desperdício de sabor. O frescor do grão recém-moído sendo apagado pelo açúcar! Mas logo em seguida penso: cada um tem um gosto! Entretanto, pensando com mais calma, concluo que essa consideração respeitosa pelo gosto alheio, nada mais é que tentantiva de acobertar um fato lamentável: o café ainda é um completo desconhecido da maior parte das pessoas. Posso extrapolar isso para a idéia de que o café é um estranho para o brasileiro. E o pior: poucos têm consciência disso, o que faz com que praticamente ninguém se importe com esse fato!
Por vezes me sinto um excêntrico quando preparo um espresso em casa, o que não anula a vontade que tenho de ajudar isso a mudar. As pessoas estão perdendo a chance de ter um grande prazer: o de sentir o gosto do frescor de um bom café moído na hora. Trata-se de uma bebida muito diversa daquela que a imensa maioria de nossos conterrâneos bebe no dia-a-dia: quase um falso cognato! Ela deveria ter outro nome, que não, café.
Mas o que será que contribui para essa massiva ignorância (não no sentido pejorativo) a respeito da diferença entre um café bem preparado, com grãos arábica e a bebida adstringente escura e amarga, preparada com grãos robusta moídos, geralmente de má qualidade. Os quilos de açúcar adicionados ajudam a mascarar, nivelando por baixo as duas bebidas. Em gesto automático, meus convidados despejam açúcar xícara-abaixo em meus espressos!
Estou aceitando a opinião dos leitores desse blog. No entanto, arrisco algumas explicações, tanto generalistas, quanto algumas mais específicas, referentes ao universo do café.
Nós brasileiros, na verdade, não somos acostumados a quase nada de boa qualidade. Aqui, o bom é elitizado e vira produto de luxo, enquanto no eixo EUA – Europa Ocidental – Japão, o ruim é marginalizado pela conconrrência, já que quase todos têm acesso a muitas opções de tudo. Trato isso apenas como um fato, agora, de maneira acrítica, já que as razões para isso são históricas.
Mas acontecer isso com café é o cúmulo! Há que se mudar isso. Somos o maior e melhor produtor mundial! E de 10 anos para cá, temos muito mais acesso a bons cafés do que pensamos. Por 20 reais o quilo, é possível adquirir grãos ou pó da variedade arábica! Enquanto isso, uma almofada do tosco café que usamos automaticamente, custa 5 ou 6 reais – ou seja, o quilo custa 10, 12 ou até mais reais! E quando estive na Argentina percebi que somos tão privilegiados com café, quanto eles com vinho! O horroroso café argentino me fez ver que temos acesso a ouro em pó, a preço de terra de jardim!
Temos internet (ainda que de péssima qualidade, relativamene ao mundo), podemos acessar sites de compra de café, e, em 10 minutos, termos cafés excelentes entregues em nossa porta (por menos de 20 reais).
O equipamento para espresso ainda é relativamente caro e escasso. Mas com uma prensa francesa ou mesmo um coador, podemos tomar um café muito bom!
Temos de acordar! Dispensar mais que 10 minutos quinzenais e escolher um bom café, ficar atento às marcas e criar preferências, “fuçar” com o Google, observar o pó, as quantidades, a água! Tudo isso pode ser fonte de um prazer ainda muito desconhecido!

 
3 Comentários

Publicado por em 3 de janeiro de 2011 em Hábito e cultura do café

 

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