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Cafezinho do Mallandro

25 nov

Ainda é bem baixa a qualidade média dos cafés a venda no varejo brasileiro, o que é lamentável, pois produzimos os melhores cafés do mundo. Nós, consumidores caseiros, ainda podemos facilmente encontrar o verdadeiro “cafezinho do Mallandro” (só fazendo uma alusão às brincadeiras do famigerado apresentador) embalado em simpáticas almofadas! Vejamos o que a ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café) divulga estar fazendo contra isso; ela anuncia que faz uma verdadeira cruzada contra a fraude do café. E é o que se espera dela, já que seu selo de qualidade deve ser uma garantia ao consumidor.
Eu mesmo já mencionei em mais de um post, que ao comprar cafés de almofada a preço de banana nanica de fim de feira, é quase certo que se está coando diversas “porcarias” ao jogar água sobre o pó preto chamado de café por algumas marcas. Pois bem, a ABIC diz se esforçar em minimizar esse tipo de fraude, por meio de testes e fiscalização. Segundo a associação, de 1989 para cá, a porcentagem de marcas que burlavam a legislação caiu de 30% para 1%. Mas acredito que esses números devam ser relativizados. Primeiro, porque mesmo com a fiscalização, há sempre os que escapam. Depois, porque há cafés que sequer carregam o selo da ABIC.
Agora vamos a algumas das impurezas encontradas em alguns cafés pela própria ABIC, ao longo de 18 anos de ação: palha de café, milho, cevada e melaço. Acrescento o que já vi em outras matérias de jornal, ao longo de 5 anos de pesquisa: pó de tijolo, terra, borra de café, palha de milho e corante caramelo (aumenta o amargor). Fora a usual torra fortíssima, que deixa o café mais amargo e escuro, passando a impressão de que o pó “rende mais”, para quem conhece apenas cafés fajutos, como boa parte dos consumidores brasileiros (por conta da histórica falta de boas opções no mercado).
Segundo a ABIC, o aumento da oferta de produtos adulterados e impuros está diretamente relacionado à guerra comercial, travada por meio de preços muito baixos ao consumidor. Um vice-diretor de qualidade da entidade ressalta que “preço baixo não se consegue por milagre, mas sim com compra de cafés muito abaixo do nível de qualidade, e portanto, com alto índice de impurezas, ou com a prática de fraudar o café, adicionando produtos mais baratos”.
Claro é, que, a depreciação dos preços do café não interesse à ABIC. Quanto mais valorizado for o produto, melhor para os produtores. Nada mais natural, então, que combata a guerra comercial. Mas o fato é que, para nós, que apreciamos o reanimador puro café, essas trapaças tampouco convém! Afinal, quem quer tomar caldo de palha de milho, tijolo e caramelo?
A ABIC argumenta que mantém uma coleta de cafés em diversos pontos de venda, afim de levá-los à análise. Com os resultados de laboratórios credenciados, pode denunciar fraudadores ou julgar algumas marcas inaptas a receber seu selo. Associados e não associados seriam objetos de avaliação constante.
Em futuros posts, voltarei a esse assunto – tentarei listar marcas famosas aprovadas e desaprovadas, mesmo sem ajuda da ABIC, que não divulga essa lista completa. Mas por ora, vale o bom-senso. Cafés excessivamente escuros e amargos, devem ser olhados com desconfiança, já que a torra excessiva pode ser usada para tentar mascarar a má qualidade do produto, e a adição de caramelo (corante). Fiquem atentos também ao excesso de adstringência, outro mal sinal.
Agora, para garantir o cafezinho sem “caldo”, só mesmo moendo os próprios grãos, ainda que não sejam arábica, ou comprando moídos na hora.
Fonte de consulta: http://www.abic.com.br/jcafe/jcafe_ed157_p33.pdf

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Publicado por em 25 de novembro de 2010 em O café no Brasil

 

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